Agricultura: sistema convencional e o sistema agroecológico.


Os sistema convencional de produção de alimentos em larga escala, na maioria das vezes, não é compatível com um modelo sustentável/agroecológico e tende a se tornar improdutivo no futuro. O seu uso ainda é pautado no argumento de que ele é necessário para atender à crescente população mundial. As práticas que vão desde o uso de toneladas de agrotóxicos, fertilizantes inorgânicos, plantas híbridas ou transgênicas, aragem, irrigação, dentre outras, conseguem entregar uma produção alta que trazem lucros para o produtor rural, mas gerando um alto custo para meio ambiente e também para nossa saúde. Apesar de serem práticas que podem trazer certas vantagens, também geram várias desvantagens, como por exemplo:
  • Sementes híbridas exigem condições ótimas para alcançar todo seu potencial, assim precisam de mais fertilizantes sintéticos e mais pesticidas para um melhor desenvolvimento.
  • Plantas transgênicas podem exigir mais agrotóxicos e causar impacto na biodiversidade ao contaminar lavouras convencionais cultivadas a milênios.
  • A aragem causa diminuição da matéria orgânica pela falta de cobertura vegetal e potencializa a lixiviação do solo.
  • Os fertilizantes inorgânicos podem ser transportados pelas chuvas ou irrigação até lagos e rios causando eutrofização.
  • Os agrotóxicos podem eliminar os inimigos naturais das pragas e também ajudar a selecionar pragas cada vez mais resistentes, fora os males causados à nossa saúde.
  • A irrigação pode aumentar o grau de erosão dos solos, transportar os fertilizantes utilizados até os rios, afetar os padrões de regime de chuvas pela retirada de águas do subsolo.
A agricultura convencional não é uma forma sustentável de produção de biomassa. Por isso aplicar os conceitos ecológicos é essencial para um agrossistema sustentável. O maior desafio do sistema agroecológico (agroecossistema) é conseguir não degradar o meio natural (manter as características de um ecossistema natural) e ao mesmo tempo manter uma produção de alto rendimento para o produtor rural. Para usufruir desse tipo de sistema, a entrada e insumos externos deve ser mínima. No lugar de produtos químicos e sintéticos como fertilizantes e agrotóxicos, usa-se adubos orgânicos e utiliza-se o controle biológico de pragas; policultura e intercalamento de espécies no lugar de monocultura; uso de plantas que se associam a bactérias (bacteriorrizas) e fungos (micorrizas), que capturam nutrientes importantes para o solo como nitrogênio e fósforo, respectivamente. Manter o entorno da área de cultivo bem preservado também é essencial, pois a manutenção da riqueza biológica de todo o ecossistema possibilita a existência de serviços ecossistêmicos importantes como polinização e o controle natural de pragas.
Portanto, quando o agroecossistema é implantado em um determinado ambiente, mesmo que modificado, ele consegue incorporar as qualidades de um ecossistema natural como resistência a perturbações e estabilidade, ou seja, consegue manter o equilíbrio ambiental ao mesmo tempo que desenvolve uma agricultura ambientalmente sustentável e produtiva.
Danilo Vieira, biólogo, professor, mestre em Ecologia de Biomas Tropicais e consultor ambiental na Vellozia Estratégia e Consultoria Ambiental.

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Licenciamento ambiental mais barato no estado de São Paulo





Postagem publicada originalmente em 2018 no nosso antigo blog.

As tarifas de licenciamento ambiental sofreram correção – sim, nesse caso “correção” significa corrigir um erro – no estado de São Paulo. Os preços haviam sido reajustados no ano passado após a publicação do Decreto 62.973/2017 do governo estadual paulista. Esse reajuste causou polêmica e indignação por parte dos empreendedores pois através dele, para se calcular as taxas cobradas pelo governo, passou-se a utilizar a área total construída do empreendimento e não apenas a área da fonte poluidora.
Essa mudança na forma de calcular as taxas levou a aumentos absurdos dos preços de licenciamento ambiental no estado de São Paulo, tendo casos em que o preço aumentou mais de 1000%. Áreas como quadras esportivas e restaurantes que não são fiscalizadas passaram a contar para o cálculo das taxas. A Cetesb, que é o órgão ambiental paulista, alegou que as taxas não sofriam reajuste há 16 anos e que o preço cobrado não vem cobrindo nem mesmo as despesas.
Esse é mais um exemplo de como o governo e os órgãos ambientais em nosso país não são preparados para lidar com as questões relacionadas ao meio ambiente. Tomando como verdadeira a versão da Cetesb, a pergunta é: “Por que as taxas do licenciamento ambiental não foram reajustadas nos momentos adequados ao longo desses 16 anos?”.
Essa é uma prática comum no Brasil, o governo não toma as providências necessárias em seu devido tempo por questões políticas, eleitoreiras, entre outras, e utiliza dinheiro público para bancar coisas que deveriam ser custeadas de outra forma. Como estamos vivendo um momento crítico nas contas públicas, o governo vem e eleva as taxas 1000% como se um aumento nessa proporção fosse algo “razoável”.
Outro ponto a ressaltar nesse caso, é a mudança na legislação que não leva em consideração a realidade do objeto no qual trata o decreto. A inclusão de áreas não fiscalizadas e, portanto, não incluídas na questão do licenciamento ambiental, mostra que ou o governo está sendo incompetente e nem conhecimento tem daquilo que ele está licenciando (algo que infelizmente é muito possível no Brasil dado a má-formação dos profissionais que atuam em órgãos ambientais e ao completo desconhecimento por parte dos legisladores brasileiros que normalmente legislam com base em interesses econômicos em detrimento de conceitos ecológicos). Outra coisa evidente nesse caso é o famoso “jeitinho” brasileiro onde o político pra não se desgastar eleitoralmente com o aumento das taxas, vem com uma “nova” fórmula de cálculo. Seja qual for a questão, ambas são graves e mostram a miséria da questão ambiental em nosso país.
Em todo caso, ainda bem que a justiça corrigiu esse equívoco do governo paulista que traria grandes prejuízos a economia do estado de São Paulo neste momento de crise no país. Lembrando rapidamente que mais taxas aos empreendedores leva a repasse de preços à população, menos vendas, menos empregos e menos impostos arrecadados, que geram novos impostos e taxas. Espero que o governo paulista tenha aprendido a lição e seja mais realista nos seus próximos reajustes.
Diego D. Dias, biólogo, mestre em ecologia de biomas tropicais e consultor ambiental na Vellozia Estratégia e Consultoria Ambiental.
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Parâmetros Fitossociológicos

Dando sequência ao post anterior onde fiz uma pequena introdução da importância da fitossociologia em levantamentos da flora e para projetos de restauração ambiental, abordarei agora os principais parâmetros utilizados nesses levantamentos.
1. Densidade
A densidade mede o número de indivíduos vegetais de cada espécie presentes em uma determinada unidade de área. Normalmente utiliza-se por hectare, mas pode ser convertida conforme a necessidade de seu estudo. Por exemplo, em minha dissertação de mestrado utilizei densidade por metro quadrado, pois esta medida condizia melhor com a minha necessidade. A densidade pode ser Densidade Absoluta (DA) – número de indivíduos por hectare – ou Densidade Relativa (DR) – densidade relativa da espécie naquela população:
DAi = n/A
onde:
DA i = Densidade absoluta – é o número de indivíduos de uma espécie por hectare
n i = número de indivíduos da espécie na amostra.
A = área total onde foi feita a amostragem (em hectare)
DRi = (DAi /DT) x 100
onde:
DR i = Densidade relativa da espécie em porcentagem na densidade total da área
DA i = Densidade absoluta
DT = Densidade total – número de indivíduos por área.
2. Frequência
Mede em que frequência essa espécie ocorre nas parcelas amostradas, em porcentagem. Temos a Frequência Absoluta (FA) e a Frequência Relativa (FR):
FAi = (ui/ut) x 100
Onde:
FA i = frequência absoluta da espécie i
ui = número de unidades amostrais onde foi encontrada a espécie i
ut = número total de unidades amostrais
FR i = (FA i / Σ FA) x 100
Onde:
FR i = frequência relativa da espécie i
FA i = frequência absoluta da espécie i
Σ FA = somatório das frequências absolutas das espécies
3. Dominância
A dominância é uma medida de biomassa das espécies daquela comunidade. De certa forma, podemos ver como determinada espécie influencia a comunidade através de sua biomassa (área de cobertura). É comum os estudos utilizarem as somas das medidas de área basal das espécies para calcularem a dominância (como pode ser visto em vários sites, artigos científicos, etc). Mostrarei aqui uma outra metodologia, muito útil para vegetação campestre, que é o método de estimativa de cobertura vegetal das parcelas pela projeção vertical de suas partes aéreas em relação à área da parcela (BRAUN-BLANQUET, 1979):
DoA i = (Σ PC i / N) x 100
Onde:
DoA i = dominância absoluta da espécie i
PC i = percentual de cobertura da espécie i por unidade amostral
N = número total de unidades amostrais
DoR i = (DoA i / Σ DoA) x 100
Onde:
DoR i = dominância relativa da espécie i
DoA i = dominância absoluta da espécie i
Σ DoA = somatório das dominâncias absolutas das espécies
4. Índice de Valor de Importância
O índice de valor de importância de uma espécie mostra a sua importância ecológica naquele determinado ambiente. Ele é o somatório dos valores relativos obtidos em densidade, frequência e dominância:
VI i = (FR i + DR i + DoR i) / 3
Onde:
VI i = índice de valor de importância da espécie i
FR i = freqüência relativa da espécie i
DR i = densidade relativa da espécie i
DoR i = dominância relativa da espécie i
Estes são os parâmetros utilizados em um levantamento fitossociológico. Caso tenha ficado alguma dúvida, deixe aí nos comentários!
Diego D. Dias, biólogo, mestre em ecologia de biomas tropicais e consultor ambiental na Vellozia Estratégia e Consultoria Ambiental.
Bibliografia
BRAUN-BLANQUET, J. Fitosociología. Bases para el estudio de comunidades vegetales. p. 820, 1979.
DIAS, Diego Dayvison. Recrutamento e estabelecimento de plantas após transposição de topsoil para área degradada pela mineração de bauxita. 2016. 67 f. Universidade Federal de Ouro Preto, 2016.
MESSIAS, Maria Cristina Teixeira Braga. Fatores ambientais condicionantes da diversidade florística em campos rupestres quartizíticos e ferruginosos no Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais. 2011. 139 f. Universidade Federal de Ouro Preto, 2011.


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Empreendimentos sujeitos a licenciamento


O Anexo 1 a Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente – Conama nº 237/1997, estabelece os principais tipos de empreendimentos que estão sujeitos ao licenciamento ambiental, ressaltando que esta lista pode ser complementada sempre que necessário, não sendo exaustiva.


São eles:
  • Extração e tratamento de minerais.
  • Pesquisa mineral com guia de utilização.
  • Lavra a céu aberto, inclusive de aluvião, com ou sem beneficiamento.
  • Lavra subterrânea com ou sem beneficiamento.
  • Lavra garimpeira.
  • Perfuração de poços e produção de petróleo e gás natural.
  • Indústria de produtos minerais não metálicos.
  • Beneficiamento de minerais não metálicos, não associados à extração.
  • Fabricação e elaboração de produtos minerais não metálicos tais como: produção de material cerâmico, cimento, gesso, amianto e vidro, entre outros.
  • Indústria metalúrgica.
  • Fabricação de aço e de produtos siderúrgicos.
  • Produção de fundidos de ferro e aço / forjados / arames / relaminados com ou sem tratamento de superfície, inclusive galvanoplastia.
  • Metalurgia dos metais não-ferrosos, em formas primárias e secundárias, inclusive ouro.
  • Produção de laminados / ligas / artefatos de metais não-ferrosos com ou sem tratamento de superfície, inclusive galvanoplastia.
  • Relaminação de metais não-ferrosos, inclusive ligas.
  • Produção de soldas e anodos.
  • Metalurgia de metais preciosos.
  • Metalurgia do pó, inclusive peças moldadas.
  • Fabricação de estruturas metálicas com ou sem tratamento de superfície, inclusive galvanoplastia.
  • Fabricação de artefatos de ferro / aço e de metais não-ferrosos com ou sem tratamento de superfície, inclusive galvanoplastia.
  • Têmpera e cementação de aço, recozimento de arames, tratamento de superfície.
  • Indústria mecânica.
  • Fabricação de máquinas, aparelhos, peças, utensílios e acessórios com e sem tratamento térmico e/ou de superfície.
  • Indústria de material elétrico, eletrônico e comunicações.
  • Fabricação de pilhas, baterias e outros acumuladores.
  • Fabricação de material elétrico, eletrônico e equipamentos para telecomunicações e informática.
  • Fabricação de aparelhos elétricos e eletrodomésticos.
  • Indústria de material de transporte.
  • Fabricação e montagem de veículos rodoviários e ferroviários, peças e acessórios.
  • Fabricação e montagem de aeronaves.
  • Fabricação e reparo de embarcações e estruturas flutuantes.
  • Indústria de madeira.
  • Serraria e desdobramento de madeira.
  • Preservação de madeira.
  • Fabricação de chapas, placas de madeira aglomeradas, prensadas e compensadas.
  • Fabricação de estruturas de madeira e de móveis.
  • Indústria de papel e celulose.
  • Fabricação de celulose e pasta mecânica.
  • Fabricação de papel e papelão.
  • Fabricação de artefatos de papel, papelão, cartolina, cartão e fibra prensada.
  • Indústria de borracha.
  • Beneficiamento de borracha natural.
  • Fabricação de câmara de ar e fabricação e recondicionamento de pneumáticos.
  • Fabricação de laminados e fios de borracha.
  • Fabricação de espuma de borracha e de artefatos de espuma de borracha, inclusive látex.
  • Indústria de couros e peles.
  • Secagem e salga de couros e peles.
  • Curtimento e outras preparações de couros e peles.
  • Fabricação de artefatos diversos de couros e peles.
  • Fabricação de cola animal.
  • Indústria química.
  • Produção de substâncias e fabricação de produtos químicos.
  • Fabricação de produtos derivados do processamento de petróleo, de rochas betuminosas e da madeira.
  • Fabricação de combustíveis não derivados de petróleo.
  • Produção de óleos/gorduras/ceras vegetais-animais/óleos essenciais vegetais e outros produtos da destilação da madeira.
  • Fabricação de resinas e de fibras e fios artificiais e sintéticos e de borracha e látex sintéticos.
  • Fabricação de pólvora/explosivos/detonantes/munição para caça-desporto, fósforo de segurança e artigos pirotécnicos.
  • Recuperação e refino de solventes, óleos minerais, vegetais e animais.
  • Fabricação de concentrados aromáticos naturais, artificiais e sintéticos.
  • Fabricação de preparados para limpeza e polimento, desinfetantes, inseticidas, germicidas e fungicidas.
  • Fabricação de tintas, esmaltes, lacas, vernizes, impermeabilizantes, solventes e secantes.
  • Fabricação de fertilizantes e agroquímicos.
  • Fabricação de produtos farmacêuticos e veterinários.
  • Fabricação de sabões, detergentes e velas.
  • Fabricação de perfumarias e cosméticos.
  • Produção de álcool etílico, metanol e similares.
  • Indústria de produtos de matéria plástica.
  • Fabricação de laminados plásticos.
  • Fabricação de artefatos de material plástico.
  • Indústria têxtil, de vestuário, calçados e artefatos de tecidos.
  • Beneficiamento de fibras têxteis, vegetais, de origem animal e sintéticos.
  • Fabricação e acabamento de fios e tecidos.
  • Tingimento, estamparia e outros acabamentos em peças do vestuário e artigos diversos de tecidos.
  • Fabricação de calçados e componentes para calçados.
  • Indústria de produtos alimentares e bebidas.
  • Beneficiamento, moagem, torrefação e fabricação de produtos alimentares.
  • Matadouros, abatedouros, frigoríficos, charqueadas e derivados de origem animal.
  • Fabricação de conservas.
  • Preparação de pescados e fabricação de conservas de pescados.
  • Preparação, beneficiamento e industrialização de leite e derivado.
  • Fabricação e refinação de açúcar.
  • Refino / preparação de óleo e gorduras vegetais.
  • Produção de manteiga, cacau, gorduras de origem animal para alimentação.
  • Fabricação de fermentos e leveduras.
  • Fabricação de rações balanceadas e de alimentos preparados para animais.
  • Fabricação de vinhos e vinagre.
  • Fabricação de cervejas, chopes e maltes.
  • Fabricação de bebidas não alcoólicas, bem como engarrafamento e gaseificação de águas minerais.
  • Fabricação de bebidas alcoólicas.
  • Indústria de fumo.
  • Fabricação de cigarros/charutos/cigarrilhas e outras atividades de beneficiamento do fumo.
  • Indústrias diversas.
  • Usinas de produção de concreto.
  • Usinas de asfalto.
  • Serviços de galvanoplastia.
  • Obras civis.
  • Rodovias, ferrovias, hidrovias, metropolitanos.
  • Barragens e diques.
  • Canais para drenagem.
  • Retificação de curso de água.
  • Abertura de barras, embocaduras e canais.
  • Transposição de bacias hidrográficas.
  • Outras obras de arte.
  • Serviços de utilidade.
  • Produção de energia termoelétrica.
  • Transmissão de energia elétrica.
  • Estação de tratamento de água.
  • Interceptores, emissários, estação elevatória e tratamento de esgoto sanitário.
  • Tratamento e destinação de resíduos industriais (líquidos e sólidos).
  • Tratamento/disposição de resíduos especiais tais como de agroquímicos e suas embalagens usadas e de serviço de saúde, entre outros.
  • Tratamento e destinação de resíduos sólidos urbanos, inclusive aqueles provenientes de fossas.
  • Dragagem e derrocamentos em corpos d’água.
  • Recuperação de áreas contaminadas ou degradadas.
  • Transporte, terminais e depósitos.
  • Transporte de cargas perigosas.
  • Transporte por dutos.
  • Marinas, portos e aeroportos.
  • Terminais de minério, petróleo e derivados e produtos químicos.
  • Depósitos de produtos químicos e produtos perigosos.
  • Turismo.
  • Complexos turísticos e de lazer, inclusive parques temáticos e autódromos.
  • Atividades diversas.
  • Parcelamento do solo.
  • Distrito e pólo industrial.
  • Atividades agropecuárias.
  • Projeto agrícola.
  • Criação de animais.
  • Projetos de assentamentos e de colonização.
  • Uso de recursos naturais.
  • Silvicultura.
  • Exploração econômica da madeira ou lenha e subprodutos florestais.
  • Atividade de manejo de fauna exótica e criadouro de fauna silvestre.
  • Utilização do patrimônio genético natural.
  • Manejo de recursos aquáticos vivos.
  • Introdução de espécies exóticas e/ou geneticamente modificadas.
  • Uso da diversidade biológica pela biotecnologia.
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Fitossociologia: um toque de qualidade nos trabalhos de consultoria



A preocupação com a recuperação de áreas degradadas está ganhando cada vez mais destaque e importância em todo o mundo. As nações, empresas e populações estão conscientes da necessidade de se preservar o ambiente natural e de recuperar o que já foi devastado, como abordamos isso em outros posts aqui do blog. Seja por questões meramente econômicas, de autopreservação, altruístas ou de saúde, o fato é que ninguém mais pode ignorar esses temas.
Isso vem causando avanços na legislação ambiental em todo o mundo, sendo praticamente inconcebível que alguma nação membro das Nações Unidas não tome providências no que diz respeito ao fato. O Brasil não é diferente nesse quesito e tem uma das melhores legislações ambientais do mundo. Seu grande desafio é aplicar essa legislação de forma eficiente e íntegra, dado que o nosso país não é conhecido pela honestidade de suas instituições.
Além da questão legal, um tema que vem sendo muito discutido em todo o mundo é a qualidade dos projetos de gestão ambiental, dado que é comum que os empreendimentos apresentem estudos e projetos para atenderem a legislação e obterem licenças, mas que do ponto de vista ecológico/científico, são considerados ruins. Dessa forma, esses projetos atendem ao ponto de vista legal mas não alcançam seu objetivo inicial: a preservação do meio ambiente (abordamos isso em outro post relacionado ao monitoramento de fauna por mineradoras no Quadrilátero Ferrífero-MG).
Dentro desse contexto, vou apresentar para vocês uma ferramenta fundamental para a execução com qualidade de estudos de levantamento de flora e de projetos de restauração de áreas degradadas, que é a Fitossociologia.
“A Fitossociologia estuda as agrupações de plantas, suas interações e sua dependência frente ao meio ambiente vivo e animado” (BRAUN-BLANQUET, 1979). Ela difere do simples levantamento de espécies no sentido de que uma lista com as espécies presentes na área oferecem pouquíssimas informações para quem pretende fazer um correto manejo da flora, avaliar a “saúde” de algum fragmento florestal ou recuperar determinada área. Vale ressaltar que os critérios para a realização do inventário florístico é determinado pela legislação e pode variar conforme exigido pelo órgão ambiental correspondente.
Basicamente, podemos dizer que os inventários florestais costumam ser de natureza quantitativos, o que apesar de não deixar de ser importante, é muito pouco para gerir um projeto. É aí que entra a fitossociologia, que tem um caráter mais qualitativo. Com essas informações das relações, composição, distribuição, dominância e cobertura, temos uma melhor visualização e compreensão daquele ambiente. Dessa forma, podemos comparar com outros fragmentos, acompanhar o desenvolvimento de projetos de recuperação ambiental, tomar decisões rapidamente e com maiores chances de acertos.
Essa foi uma introdução à fitossociologia e sua importância para o sucesso de projetos ambientais. No próximo post, mostrarei os principais parâmetros utilizados em estudos fitossociológicos. Até a próxima!
Diego D. Dias, biólogo, mestre em ecologia de biomas tropicais e consultor ambiental na Vellozia Estratégia e Consultoria Ambiental.
Bibliografia: BRAUN-BLANQUET, J. Fitosociología. Bases para el estudio de comunidades vegetales. p. 820, 1979.
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Consultor ambiental: você faz os trabalhos bem feitos ou o barato nem sempre sai caro?


Postagem publicada originalmente em 2018 no nosso antigo blog.

Uma das discussões que vem crescendo em todo o mundo no campo da gestão em meio ambiente é a qualidade dos trabalhos de consultoria ambiental. Em vários países vem sendo constatada a ineficiência dos trabalhos de monitoramento de espécies, manejo, recuperação de áreas degradadas e estudos de impacto ambiental. Essas preocupações alertam para o fato de que esses trabalhos estão sendo realizados para atender a legislação onde os empreendimentos estão localizados, mas que do ponto de vista ecológico, muito pouco ou nada acrescentam.

Essa semana li os trabalhos publicados por uma colega do mestrado abordando justamente esse tema, voltado em especial para monitoramento de fauna (a referência destes trabalhos e o link para download estarão disponíveis abaixo). Em um desses artigos ela chama a atenção para a maior tragédia ambiental do Brasil: o rompimento da Barragem de Fundão em Mariana-MG (que completa três anos agora em novembro deste ano). Vários fatores contribuíram para a tragédia, mas dentre eles podemos destacar a avaliação equivocada dos impactos que a barragem poderia causar. Por sua vez, esse equívoco levou à medidas ineficientes de contenção dos danos ambientais. O resultado? Destruição de Bento Rodrigues, morte de 19 pessoas, várias comunidades afetas e uma destruição de 1775 hectares. Sendo que destes 835 hectares de áreas protegidas. Além da destruição de habitats no Rio Doce e em ambientes marinhos.
Já falei em alguns outros posts que a Legislação ambiental em nosso país é uma das melhores do mundo e, ainda assim, algo como a tragédia em Mariana aconteceu. Desconsiderando os problemas de fiscalização e acompanhamento dos programas de gestão ambiental, muitas vezes negligenciados pelos empreendedores após a obtenção das licenças, um dos fatores mais importantes para que os estudos ambientais sejam ruins vem dos próprios termos de referência fornecidos pelos órgãos ambientais do governo.
Estes termos de referência não possuem grande detalhamento quanto a metodologias a serem seguidos e padrões mínimos de exigência de procedimentos científicos e estatísticos. O resultado são estudos ineficientes que não contribuem para a preservação do meio ambiente e não servem como parâmetros para a tomada de decisões dos gestores ambientais.
Um cliente uma vez me perguntou, com certa irritação, por que havia uma variação tão grande nos preços de consultorias ambientais se o serviço solicitado era o mesmo? E o que justificaria tamanha variação. A resposta é que devido ao fato dos termos de referência serem tão genéricos, possibilita grande “liberdade” de metodologias a serem utilizadas pelos consultores ambientais. E metodologias de qualidade, em geral, custam caros e demandam tempo.
Dessa forma, em um mercado tão competitivo como é o de consultoria ambiental, a escolha é pelo estudo com menor custo para ser executado em detrimento do de melhor qualidade. Assim, infelizmente, os trabalhos de consultoria ambiental são apenas mera formalidade para obtenção de licenças e nada mais. Ou seja, grande perda de tempo e dinheiro!
Em um mundo cada vez mais preocupado com as questões ambientais e onde o marketing de sustentabilidade é tão importante, estudos ambientais malfeitos, além do potencial para ocorrerem verdadeiras tragédias do ponto de vista humano e ambiental, podem ocasionar grandes perdas em dinheiro e credibilidade para os empreendimentos. Algo que não pode ser deixado de lado pelo Consultor ambiental na hora de escolher qual metodologia vai utilizar e pelo empreendedor na hora de escolher qual consultoria vai contratar. Uma escolha errada pode significar o fim de uma empresa ou marca. Algo muito sério!
Por fim, deixo uma pergunta a todos nós Consultores ambientais: “Fazer sabidamente um trabalho de consultoria com a metodologia inadequada, é o caminho para um país e sociedade melhores?”. Vocês realmente gostaria de ter o seu nome associado a trabalhos de má qualidade? Não sei quanto a vocês, mas quanto a mim, é claro que não. Quero o melhor para mim, para minha empresa, para meu cliente e para a sociedade. A crise moral e ética que vivemos em nosso país, em grande parte, é por nossa culpa.
Diego D. Dias, biólogo, mestre em ecologia de biomas tropicais e consultor ambiental na Vellozia Estratégia e Consultoria Ambiental.
Trabalhos citados neste post:
DIAS, Amanda Monique da Silva; FONSECA, Alberto; PAGLIA, Adriano Pereira. Biodiversity monitoring in the environmental impact assessment of mining projects: a (persistent) waste of time and money? Perspectives in Ecology and Conservation, v. 15, n. 3, p. 206–208, 1 jul. 2017. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1679007316301505>. Acesso em: 19 set. 2018.
DIAS, Amanda Monique da Silva; FONSECA, Alberto; PAGLIA, Adriano Pereira. Technical quality of fauna monitoring programs in the environmental impact assessments of large mining projects in southeastern Brazil. Science of The Total Environment, v. 650, p. 216–223, 2018. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048969718334004?via%3Dihub.
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