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Uma jornada de muitos passos 2: Consultor de flora: o que você precisa para ser um?

Foto de resgate flora em Miguel Burnier, Ouro Preto-MG
 

No post anterior, eu abordei de forma geral o que é preciso para um biólogo se tornar um consultor ambiental. Se você ainda não o leu, clique aqui e dê uma olhadinha lá, porque ficou bem legal! Hoje o assunto será flora (área onde eu atuo): o que você precisa saber sobre esse mercado?


Apesar de óbvio, você precisará ter bons conhecimentos em Botânica para trabalhar nessa área. Identificar plantas, dominar morfologia e taxonomia vegetal é fundamental para ser um bom profissional. Você também deve ter uma base sólida de ecologia vegetal, dominar as metodologias de estudo da flora (fique de olho, pois vai ter texto sobre isso aqui!), fitossociologia, índices de diversidade e interpretação de dados.


Uma dica importante é conhecer ferramentas digitais que auxiliam a identificação de plantas ou a obtenção de listas de espécies das localidades em que você trabalhará, como o speciesLink e o programa REFLORA. Esses dois sites (há outros) são muito importantes para o dia-a-dia do biólogo de flora. Também vai aí uma dica especial: participe de grupos de whatsapp que tenham outros consultores, pois lá você encontrará vagas e indicações!


O que faz um Consultor de Flora?

O botânico pode dar consultoria e assessoria na elaboração de estudos e programas que envolvam a flora. Dessa forma, o consultor atua em:


  • Resgate de Flora

  • Caracterização da vegetação

  • Inventários florísticos e florestais

  • Classificação de estágios sucessionais e determinação do grau de conservação

  • Cadastramento de indivíduos arbóreos


Esses trabalhos vão além dos conhecimentos técnicos em botânica, por isso é necessário que você esteja familiarizado com a legislação ambiental que norteará suas ações e decisões. Acostume-se também com a redação de relatórios, pois essa é uma atividade comum no dia a dia do consultor de flora. Portanto, treine sua escrita!


Outra área de atuação em que o consultor de flora pode atuar é na parte de recuperação de áreas degradadas, (minha área favorita!), onde você pode aplicar seus conhecimentos para recuperar ou compensar uma área que foi degradada.


Prepare-se! Há muito trabalho pela frente!

Os campos de flora costumam ser bem intensos e exigem bastante esforço físico e mental por parte do biólogo. Além de ter que planejar muito bem o seu campo, você trabalhará bastante na execução dos serviços. Por isso, se acostume com dias de trabalho bem cansativos, coletando plantas, andando pela vegetação em lugares de difícil acesso e com noites ocupadas com a identificação do material coletado, escrevendo planilhas para relatórios. E, a depender do trabalho, você ainda produzirá o relatório para o cliente! Puxado, né? 


Mas fique tranquilo! Apesar de todo esse trabalho, vale a pena cada segundo. Só não exagere no esforço e lembre-se de descansar, especialmente entre os campos. 


Até o próximo artigo!

 

Diego D. Dias
Biólogo
Mestre em Ecologia de Biomas Tropicais 
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Fitossociologia: um toque de qualidade nos trabalhos de consultoria



A preocupação com a recuperação de áreas degradadas está ganhando cada vez mais destaque e importância em todo o mundo. As nações, empresas e populações estão conscientes da necessidade de se preservar o ambiente natural e de recuperar o que já foi devastado, como abordamos isso em outros posts aqui do blog. Seja por questões meramente econômicas, de autopreservação, altruístas ou de saúde, o fato é que ninguém mais pode ignorar esses temas.
Isso vem causando avanços na legislação ambiental em todo o mundo, sendo praticamente inconcebível que alguma nação membro das Nações Unidas não tome providências no que diz respeito ao fato. O Brasil não é diferente nesse quesito e tem uma das melhores legislações ambientais do mundo. Seu grande desafio é aplicar essa legislação de forma eficiente e íntegra, dado que o nosso país não é conhecido pela honestidade de suas instituições.
Além da questão legal, um tema que vem sendo muito discutido em todo o mundo é a qualidade dos projetos de gestão ambiental, dado que é comum que os empreendimentos apresentem estudos e projetos para atenderem a legislação e obterem licenças, mas que do ponto de vista ecológico/científico, são considerados ruins. Dessa forma, esses projetos atendem ao ponto de vista legal mas não alcançam seu objetivo inicial: a preservação do meio ambiente (abordamos isso em outro post relacionado ao monitoramento de fauna por mineradoras no Quadrilátero Ferrífero-MG).
Dentro desse contexto, vou apresentar para vocês uma ferramenta fundamental para a execução com qualidade de estudos de levantamento de flora e de projetos de restauração de áreas degradadas, que é a Fitossociologia.
“A Fitossociologia estuda as agrupações de plantas, suas interações e sua dependência frente ao meio ambiente vivo e animado” (BRAUN-BLANQUET, 1979). Ela difere do simples levantamento de espécies no sentido de que uma lista com as espécies presentes na área oferecem pouquíssimas informações para quem pretende fazer um correto manejo da flora, avaliar a “saúde” de algum fragmento florestal ou recuperar determinada área. Vale ressaltar que os critérios para a realização do inventário florístico é determinado pela legislação e pode variar conforme exigido pelo órgão ambiental correspondente.
Basicamente, podemos dizer que os inventários florestais costumam ser de natureza quantitativos, o que apesar de não deixar de ser importante, é muito pouco para gerir um projeto. É aí que entra a fitossociologia, que tem um caráter mais qualitativo. Com essas informações das relações, composição, distribuição, dominância e cobertura, temos uma melhor visualização e compreensão daquele ambiente. Dessa forma, podemos comparar com outros fragmentos, acompanhar o desenvolvimento de projetos de recuperação ambiental, tomar decisões rapidamente e com maiores chances de acertos.
Essa foi uma introdução à fitossociologia e sua importância para o sucesso de projetos ambientais. No próximo post, mostrarei os principais parâmetros utilizados em estudos fitossociológicos. Até a próxima!
Diego D. Dias, biólogo, mestre em ecologia de biomas tropicais e consultor ambiental na Vellozia Estratégia e Consultoria Ambiental.
Bibliografia: BRAUN-BLANQUET, J. Fitosociología. Bases para el estudio de comunidades vegetales. p. 820, 1979.
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