Mostrando postagens com marcador fitossociologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fitossociologia. Mostrar todas as postagens

Parâmetros Fitossociológicos

Dando sequência ao post anterior onde fiz uma pequena introdução da importância da fitossociologia em levantamentos da flora e para projetos de restauração ambiental, abordarei agora os principais parâmetros utilizados nesses levantamentos.
1. Densidade
A densidade mede o número de indivíduos vegetais de cada espécie presentes em uma determinada unidade de área. Normalmente utiliza-se por hectare, mas pode ser convertida conforme a necessidade de seu estudo. Por exemplo, em minha dissertação de mestrado utilizei densidade por metro quadrado, pois esta medida condizia melhor com a minha necessidade. A densidade pode ser Densidade Absoluta (DA) – número de indivíduos por hectare – ou Densidade Relativa (DR) – densidade relativa da espécie naquela população:
DAi = n/A
onde:
DA i = Densidade absoluta – é o número de indivíduos de uma espécie por hectare
n i = número de indivíduos da espécie na amostra.
A = área total onde foi feita a amostragem (em hectare)
DRi = (DAi /DT) x 100
onde:
DR i = Densidade relativa da espécie em porcentagem na densidade total da área
DA i = Densidade absoluta
DT = Densidade total – número de indivíduos por área.
2. Frequência
Mede em que frequência essa espécie ocorre nas parcelas amostradas, em porcentagem. Temos a Frequência Absoluta (FA) e a Frequência Relativa (FR):
FAi = (ui/ut) x 100
Onde:
FA i = frequência absoluta da espécie i
ui = número de unidades amostrais onde foi encontrada a espécie i
ut = número total de unidades amostrais
FR i = (FA i / Σ FA) x 100
Onde:
FR i = frequência relativa da espécie i
FA i = frequência absoluta da espécie i
Σ FA = somatório das frequências absolutas das espécies
3. Dominância
A dominância é uma medida de biomassa das espécies daquela comunidade. De certa forma, podemos ver como determinada espécie influencia a comunidade através de sua biomassa (área de cobertura). É comum os estudos utilizarem as somas das medidas de área basal das espécies para calcularem a dominância (como pode ser visto em vários sites, artigos científicos, etc). Mostrarei aqui uma outra metodologia, muito útil para vegetação campestre, que é o método de estimativa de cobertura vegetal das parcelas pela projeção vertical de suas partes aéreas em relação à área da parcela (BRAUN-BLANQUET, 1979):
DoA i = (Σ PC i / N) x 100
Onde:
DoA i = dominância absoluta da espécie i
PC i = percentual de cobertura da espécie i por unidade amostral
N = número total de unidades amostrais
DoR i = (DoA i / Σ DoA) x 100
Onde:
DoR i = dominância relativa da espécie i
DoA i = dominância absoluta da espécie i
Σ DoA = somatório das dominâncias absolutas das espécies
4. Índice de Valor de Importância
O índice de valor de importância de uma espécie mostra a sua importância ecológica naquele determinado ambiente. Ele é o somatório dos valores relativos obtidos em densidade, frequência e dominância:
VI i = (FR i + DR i + DoR i) / 3
Onde:
VI i = índice de valor de importância da espécie i
FR i = freqüência relativa da espécie i
DR i = densidade relativa da espécie i
DoR i = dominância relativa da espécie i
Estes são os parâmetros utilizados em um levantamento fitossociológico. Caso tenha ficado alguma dúvida, deixe aí nos comentários!
Diego D. Dias, biólogo, mestre em ecologia de biomas tropicais e consultor ambiental na Vellozia Estratégia e Consultoria Ambiental.
Bibliografia
BRAUN-BLANQUET, J. Fitosociología. Bases para el estudio de comunidades vegetales. p. 820, 1979.
DIAS, Diego Dayvison. Recrutamento e estabelecimento de plantas após transposição de topsoil para área degradada pela mineração de bauxita. 2016. 67 f. Universidade Federal de Ouro Preto, 2016.
MESSIAS, Maria Cristina Teixeira Braga. Fatores ambientais condicionantes da diversidade florística em campos rupestres quartizíticos e ferruginosos no Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais. 2011. 139 f. Universidade Federal de Ouro Preto, 2011.


COMPARTILHE:

Fitossociologia: um toque de qualidade nos trabalhos de consultoria



A preocupação com a recuperação de áreas degradadas está ganhando cada vez mais destaque e importância em todo o mundo. As nações, empresas e populações estão conscientes da necessidade de se preservar o ambiente natural e de recuperar o que já foi devastado, como abordamos isso em outros posts aqui do blog. Seja por questões meramente econômicas, de autopreservação, altruístas ou de saúde, o fato é que ninguém mais pode ignorar esses temas.
Isso vem causando avanços na legislação ambiental em todo o mundo, sendo praticamente inconcebível que alguma nação membro das Nações Unidas não tome providências no que diz respeito ao fato. O Brasil não é diferente nesse quesito e tem uma das melhores legislações ambientais do mundo. Seu grande desafio é aplicar essa legislação de forma eficiente e íntegra, dado que o nosso país não é conhecido pela honestidade de suas instituições.
Além da questão legal, um tema que vem sendo muito discutido em todo o mundo é a qualidade dos projetos de gestão ambiental, dado que é comum que os empreendimentos apresentem estudos e projetos para atenderem a legislação e obterem licenças, mas que do ponto de vista ecológico/científico, são considerados ruins. Dessa forma, esses projetos atendem ao ponto de vista legal mas não alcançam seu objetivo inicial: a preservação do meio ambiente (abordamos isso em outro post relacionado ao monitoramento de fauna por mineradoras no Quadrilátero Ferrífero-MG).
Dentro desse contexto, vou apresentar para vocês uma ferramenta fundamental para a execução com qualidade de estudos de levantamento de flora e de projetos de restauração de áreas degradadas, que é a Fitossociologia.
“A Fitossociologia estuda as agrupações de plantas, suas interações e sua dependência frente ao meio ambiente vivo e animado” (BRAUN-BLANQUET, 1979). Ela difere do simples levantamento de espécies no sentido de que uma lista com as espécies presentes na área oferecem pouquíssimas informações para quem pretende fazer um correto manejo da flora, avaliar a “saúde” de algum fragmento florestal ou recuperar determinada área. Vale ressaltar que os critérios para a realização do inventário florístico é determinado pela legislação e pode variar conforme exigido pelo órgão ambiental correspondente.
Basicamente, podemos dizer que os inventários florestais costumam ser de natureza quantitativos, o que apesar de não deixar de ser importante, é muito pouco para gerir um projeto. É aí que entra a fitossociologia, que tem um caráter mais qualitativo. Com essas informações das relações, composição, distribuição, dominância e cobertura, temos uma melhor visualização e compreensão daquele ambiente. Dessa forma, podemos comparar com outros fragmentos, acompanhar o desenvolvimento de projetos de recuperação ambiental, tomar decisões rapidamente e com maiores chances de acertos.
Essa foi uma introdução à fitossociologia e sua importância para o sucesso de projetos ambientais. No próximo post, mostrarei os principais parâmetros utilizados em estudos fitossociológicos. Até a próxima!
Diego D. Dias, biólogo, mestre em ecologia de biomas tropicais e consultor ambiental na Vellozia Estratégia e Consultoria Ambiental.
Bibliografia: BRAUN-BLANQUET, J. Fitosociología. Bases para el estudio de comunidades vegetales. p. 820, 1979.
COMPARTILHE:

Fale conosco

Nome

E-mail *

Mensagem *

Marcadores